# 13º e 14º salário na Itália: quando e por que são pagos

> Como funcionam o 13º e o 14º salário na Itália, em que diferem do 13º brasileiro e como planejar o fluxo de caixa quando o salário anual chega em parcelas extras.


Para uma empresa brasileira, o 13º salário não é novidade. A Itália também tem: a *tredicesima*. E muitas convenções coletivas somam uma *quattordicesima*, o 14º salário, que no Brasil não existe. Os dois não são bônus. São remuneração diferida que o funcionário já ganhou com o trabalho normal.

Este artigo explica o que são, em que diferem do 13º brasileiro e como planejá-los no orçamento.

## O que são

O 13º é uma parcela extra de salário paga além das mensais. O 14º funciona igual, mas não é universal. Quem recebe depende da convenção coletiva nacional (CCNL) que se aplica à função e ao setor.

O ponto central: esses valores fazem parte da remuneração anual. Na Itália a proposta é feita em bruto anual, a RAL. Esse número já inclui as parcelas extras e é dividido em mais pagamentos do que os meses do ano. Quem pensa em salário mensal, como no Brasil, precisa inverter a conta: primeiro o anual, depois as parcelas.

Como no Brasil, não é um prêmio discricionário. Não dá para pular num ano ruim nem amarrar a uma meta. É devido por padrão a todo empregado coberto pela convenção.

## Em que diferem do 13º brasileiro

- **Fonte da regra.** No Brasil o 13º vem da lei. Na Itália, sobretudo das convenções coletivas, que todas preveem o 13º e algumas o 14º.
- **Parcelas.** No Brasil o 13º sai em duas parcelas, até novembro e até 20 de dezembro. Na Itália o 13º costuma ser pago de uma vez, no fim do ano, e o 14º por volta do verão europeu.
- **Forma de cálculo na proposta.** No Brasil se fala "salário mais 13º". Na Itália, "RAL dividida em 13 ou 14".

## Por que existem

A prática vem da tradição trabalhista italiana e hoje é definida principalmente pela negociação coletiva. Sindicatos e associações patronais negociam as condições de cada setor. O resultado é uma estrutura de remuneração anual que empregados e empregadores esperam.

Para o funcionário, as parcelas extras funcionam como uma poupança forçada. Chegam em momentos previsíveis, muitas vezes quando as despesas da família são maiores. As pessoas planejam férias, gastos escolares e impostos em torno delas.

Para o empregador, a regra é simples: a convenção fixa a estrutura e você segue. Há pouco espaço para negociar isso num contrato individual.

## Quando são pagos

O momento também segue a convenção. O 13º costuma ser pago perto do fim do ano. O 14º, onde existe, por volta do verão. Alguns contratos espalham os valores nos holerites mensais em vez de pagá-los de uma vez.

Antes de planejar qualquer coisa, confirme três pontos para cada vaga:

- Qual convenção se aplica.
- Se o 14º está incluído.
- Se as parcelas extras são pagas de uma vez ou distribuídas ao longo do ano.

Essas respostas mudam o seu perfil de caixa mais do que parece.

## O efeito no fluxo de caixa

Nos meses em que cai uma parcela extra, a folha fica maior. As parcelas extras também recolhem contribuições, então o custo de cada uma é maior que o líquido que o funcionário vê.

Existe ainda a questão da provisão, que o financeiro brasileiro conhece bem. O funcionário adquire o 13º e o 14º aos poucos durante o ano, mesmo que o dinheiro saia depois. Se você só lança a despesa quando paga, os resultados mensais parecem melhores do que são em parte do ano e piores no mês do pagamento. A boa prática é provisionar mês a mês.

Alguns hábitos ajudam:

- **Orce pelo custo anual, não pelo salário mensal.** Pegue o pacote anual completo, com parcelas extras e encargos, e divida pelo ano para planejar.
- **Provisione mensalmente.** Assim nenhuma folha vira surpresa.
- **Marque os meses pesados na previsão de caixa.** A tesouraria deve saber quais meses têm saídas maiores, ainda mais quando o pagamento depende de câmbio.
- **Veja o que acontece na saída.** Quando alguém sai no meio do ano, a parte proporcional já adquirida continua devida.

Uma alternativa que usamos nos orçamentos: pagar o 13º e o 14º proporcionalmente em cada holerite mensal, quando a convenção ou um acordo individual permitir. A fatura fica igual todos os meses. Veja o efeito na [calculadora de custo](/calculadora-custo.html).

## Como falar com o candidato

Na Itália a negociação é feita em bruto anual. O candidato pode perguntar em quantas parcelas o valor é dividido. Esteja pronto para responder. Se a sua proposta é um número anual fixo, diga se ele já inclui as parcelas extras. Confusão aqui gera disputa depois e pode fazer a proposta parecer menor ou maior do que você queria.

Explique também a estrutura à diretoria no Brasil. Uma contratação com certo salário anual não custa esse valor dividido igualmente pelos meses, e isso é normal.

## O que fazer agora

Trate o 13º e o 14º como partes fixas da remuneração. Confirme primeiro a convenção. Depois monte a previsão sobre o custo anual completo, provisione mensalmente e sinalize os meses mais pesados. Feito assim, as parcelas extras deixam de ser surpresa e viram mais uma linha de um orçamento previsível.

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Source: https://contratarnaitalia.com/articles/13-e-14-salario-italia-fluxo-de-caixa.html · 2026-10-08
